Unha que descama, lasca na ponta ou quebra antes de crescer costuma ter menos relação com falta de um esmalte fortalecedor e mais com o que acontece com ela ao longo do dia. Molhar e secar as mãos muitas vezes, remover cutícula, usar acetona com frequência e passar meses seguidos de alongamento em alongamento são os hábitos que mais aparecem quando a unha fica frágil.

A parte boa é que quase todos dão para ajustar sem gastar nada. Na prática: reduzir o contato repetido com água e produtos de limpeza, deixar a cutícula no lugar e dar intervalos entre uma aplicação e outra de gel ou postiça. E vale ajustar a expectativa — a unha cresce devagar, então a melhora aparece aos poucos, conforme a parte nova vai substituindo a antiga.

Por que a unha fica quebradiça

A unha é formada por camadas finas grudadas umas nas outras. Quando ela absorve água e seca várias vezes ao dia, essas camadas incham e murcham em ritmos diferentes e acabam se soltando nas pontas — é aquele descamado que parece uma folhinha se abrindo. Por isso a orientação de dermatologia é usar luva para lavar louça e limpar a casa: o contato repetido ou prolongado com água racha a unha.

Solventes têm efeito parecido. A acetona resseca bastante, e materiais de dermatologia brasileiros recomendam preferir removedores sem acetona e deixar as unhas sem esmalte por uma semana a cada mês, aproveitando esse intervalo para hidratar.

A cutícula não é sujeira

Remover cutícula é provavelmente o hábito mais comum da lista e o mais simples de rever. Ela não é excesso de pele: é a barreira que fecha o espaço entre a unha e o dedo. Sem ela, fungos e bactérias entram com mais facilidade — e é daí que vêm boa parte das inflamações ao redor da unha.

Empurrar com cuidado depois do banho costuma resolver a questão estética. Se você faz as unhas em salão, dá para pedir que a cutícula seja preservada; essa é justamente a orientação que dermatologistas dão para quem usa alongamento. Levar o próprio alicate e a própria lixa também reduz risco, e o material pode ser higienizado com água, sabão e álcool 70%.

Gel e alongamento: o custo de virar rotina

Gel e acrigel não são proibidos, mas cobram um preço quando deixam de ser exceção. Para o material aderir, a superfície da unha precisa ser lixada até ficar áspera. Some a isso a manutenção a cada duas ou três semanas e a remoção, e o resultado é uma unha mais fina e ressecada. A Academia Americana de Dermatologia descreve fragilidade, descamação e rachaduras entre os efeitos do esmalte em gel.

Se você gosta e não quer abrir mão, dá para reduzir o desgaste:

  • tratar como coisa de ocasião, e não como manutenção permanente;
  • dar uma pausa de uma a duas semanas sem esmalte entre uma aplicação e outra;
  • pedir que a cutícula não seja cortada e que o lixamento fique no mínimo necessário;
  • na remoção, mergulhar só as pontas dos dedos na acetona, em vez da mão inteira;
  • nas cabines de luz, passar protetor solar nas mãos ou usar luvas com as pontas cortadas.

O que costuma ajudar no dia a dia

Nada aqui é caro nem complicado:

  • luva de borracha para lavar louça, esfregar banheiro e mexer com produto de limpeza;
  • hidratante nas mãos e ao redor das unhas depois de lavar;
  • corte reto, arredondando de leve as pontas, com alicate ou tesoura afiados;
  • lixa para tirar farpas em vez de deixar a unha lascar sozinha;
  • não usar a unha como ferramenta para abrir lata, tirar etiqueta ou soltar grampo;
  • não roer as unhas nem puxar pelinha — o certo é cortar com cuidado.

Antes de comprar um pote de vitamina

A biotina é o suplemento mais associado a unhas fortes, e vale saber o que a Academia Americana de Dermatologia diz sobre isso: a deficiência dessa vitamina é rara, e a suplementação só faz sentido quando existe deficiência. Doses altas ainda podem alterar resultados de exames de sangue, principalmente os de tireoide. Se você acha que é o seu caso, converse com um profissional antes de começar por conta própria.

Vale o mesmo raciocínio para endurecedores e bases fortalecedoras: eles aparecem em orientações médicas como uma possibilidade, não como solução garantida. Antes de trocar a prateleira inteira, experimente ajustar os hábitos acima por algumas semanas — em muitos casos, essa é a mudança que faz diferença. Este texto não tem link de afiliado.

Quando não é (só) hábito

Unha frágil nem sempre vem da rotina. Algumas mudanças pedem avaliação profissional, e é bom não deixar passar:

  • mudança de cor ou faixas escuras na unha;
  • mudança de formato, como a unha começar a curvar;
  • mudança de espessura;
  • covinhas, sulcos ou marcas;
  • unha se soltando da pele;
  • sangramento, inchaço ou dor ao redor da unha;
  • unha que parou de crescer.

Quem tem diabetes ou problemas de circulação também deve procurar avaliação diante de qualquer alteração. Este texto informa; quem examina e conclui é o profissional de saúde.

Resumindo

  • Água em excesso, acetona e remoção de cutícula estão entre os hábitos que mais enfraquecem a unha.
  • Luva para tarefas molhadas e hidratante depois de lavar as mãos são as mudanças mais simples.
  • Gel e alongamento pedem pausas e remoção cuidadosa.
  • Suplemento não é o primeiro passo, e biotina só com orientação profissional.
  • Mudança de cor, formato, espessura ou dor merece consulta.

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